Raquel Montero

Raquel Montero

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Confraternização do CONSEG

Na data de ontem, 05 de dezembro de 2.017, foi feita uma confraternização no Conselho de Segurança Comunitária (CONSEG) da região oeste de Ribeirão Preto, que tem como presidenta o membro Maria Silvia Rutiligiano Roque.

A confraternização desse ano também foi preparada com o motivo especial de prestigiar o Sargento da Polícia Militar (PM), Itamar Silveira Moreira, que irá se aposentar este mês.

Nesse intuito, membros do CONSEG da região oeste organizaram a confraternização para também reconhecer os serviços prestados pelo Sargento Silveira e parabenizá-lo por sua aposentadoria. Tutores e membros de CONSEG´s de outras regiões da cidade também estiveram presentes para prestigiar o Sargento, assim como autoridades da cidade, sendo estas; o Capitão da PM, Marcelo Henrique Figueiredo, o delegado da Polícia Civil, Marcelo Velludo, a vereadora Gláucia Berenice, o assessor da Casa Civil,  Marcus Vinicius Moreira Carvalho. Também fui convidada, como assessora jurídica da Associação de Moradores do Portal do Alto, a fazer uma explanação para o Sargento  

Sargento Silveira é conhecido entre os membros dos CONSEG´s por ser um policial militar muito engajado nas atividades comunitárias da cidade, além de cumprir bem seu dever como policial militar.

Em minha manifestação falei sobre a diferença e a distância que, por vezes, existe entre o dever ou trabalho que deve ser realizado e o que efetivamente é cumprido ou realizado na prática.

Por vezes somos atendidos por profissionais ou funcionárias/funcionários, seja do setor público, seja da esfera privada, que não cumprem com seu trabalho, realizando um mau trabalho. Assim como também ocorre de sermos atendidos por profissionais ou funcionárias/funcionários que cumprem com seu dever, sem, contudo, muita dedicação. Simplesmente fazem o trabalho sem a preocupação de fazê-lo da melhor forma.

Mas, às vezes, também nos deparamos com aquelas pessoas que ao prestarem seu trabalho ou cumprirem com seu dever, tentam fazê-lo da melhor forma, com excelência.

Nesse sentido poderiam ser citados o motorista do transporte público que não só transporta pessoas, mas se preocupa em ser gentil, simpático, dirigir com o máximo de cuidado tendo em vista que está levando idosos, gestantes, crianças, que tem a preocupação de parar o ônibus com segurança, de desviar dos buracos, de se certificar se a pessoas estão subindo ou descendo do ônibus com segurança. Da mesma forma um policial militar que atende a uma ocorrência se preocupando em ser gentil, simpático, atencioso, tentar acalmar a pessoa, preencher o boletim de ocorrência com o máximo de detalhes possível, orientar da melhor forma quem está atendendo.

Cumprir com o dever, é cumprir com o dever. Cumprir com o dever buscando fazer com que seja da melhor forma, é fazer mais, é se dedicar. E se dedicar, em outras palavras, é colocar amor no que se está fazendo. E o amor faz a diferença, e é essa diferença que faz algo brilhar ou se destacar dos demais iguais. É o que reluz, o que brilha.

O amor constrói. O amor faz pontes. O contrário do amor ou a ausência dele, faz muros. O amor joga sementes que o tempo trata de reconhecer e fazer frutificar.

Falei, então, que foi o algo a mais que o Sargento Silveira tentou fazer, a sua dedicação, que fez com que ele estivesse sendo reconhecido naquele momento, e parabenizado. O amor que colocamos no que fazemos são sementes que semeamos no tempo, e que o tempo faz frutificar.


Que as sementes continuem a ser jogadas no novo caminho que o Sargento passará a trilhar em sua vida, e que a comemoração de ontem também tenha tido a energia propulsora para fazê-lo continuar essa marcha nessa nova fase de sua vida.

Raquel Montero


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Cada cabeça, uma...

Foto: Reprodução


Audiência trabalhista. Empresa de um lado, trabalhadora do outro lado, chamada na Justiça do Trabalho de "reclamante". Juíza pondera mas não chega a perguntar; "mas por que não ajuizou a ação logo que foi demitida da empresa estando grávida? Por que a ação foi ajuizada depois de alguns meses?"


Eu, advogada da trabalhadora, falo, mesmo sem ser perguntada; "A reclamante ajuizou a ação dentro do prazo para tanto, então, tinha direito de ajuizar quando ajuizou. Além disso, ao ser demitida, avisou a empresa que estava grávida."


A juíza: "Sim, mas poderia ter feito antes. Por que ela demorou tanto?" A pergunta dá a ideia de que era a trabalhadora que estava errada, e não a empresa, ao ser demitida grávida ou pela existência daquela ação trabalhista que foi feita para cobrar indenização pelo período de estabilidade decorrente da gravidez, e cuja estabilidade não foi respeitada pela empresa, ao demitir a trabalhadora estando ela grávida.


Eu; "Talvez porque após ser demitida estivesse desempregada, sem qualquer renda, não sabe ler nem escrever (e menciono vários documentos que juntei ao processo e que comprovam que ela os assinou apenas com a digital da mão), mora na periferia da cidade onde o acesso a diversos direitos são negados todos os dias a milhares de pessoas, a tarifa do transporte público de Ribeirão seja uma das mais caras do Brasil, é beneficiária do Bolsa Família (nesse momento levanto o cartão do Bolsa Família da trabalhadora e mostro para a juíza), o que já remete ela a uma condição de pobreza ou extrema pobreza para poder se beneficiar de tal benefício social, então, talvez ela tinha que escolher entre alimentar os dois filhos que já tinha e o que estava sendo gerado ao invés de gastar com quatro ônibus para chegar até o acesso a seus direitos. Talvez tenha sido por esses motivos, Excelência."


Falo olhando para a juíza e vejo sua face responder positivamente ao que falo, como se talvez ela nunca tivesse pensado daquela forma.


Após, iniciamos tratativas para um acordo. Parte da juíza a proposta de acordo, ao sinalizar uma condenação, que, porém, não sabemos de quanto seria. A empresa propõe parcelar. A juíza pergunta se dá para ser à vista o pagamento. Por fim, fechamos um bom acordo e parcelamos em algumas parcelas.


Momentos depois de fechar o acordo a juíza comenta; "Está difícil sair pagamentos à vista. Até o Santander outro dia parcelou." Eu faço algumas ponderações após esse comentário da juíza, no sentido de contestá-lo, mas a ponderação mais delicada que faço é dentro de mim mesma, pensando nas vidas que dependem da concepção de vida que tem outras pessoas.


Raquel Montero